Em um campo ensolarado, um menino pequeno estava sentado na grama, olhando para o céu. Um raposa chega pulando e se senta ao lado do menino. O raposa fala:

— Por que está tão triste, menino?

— Perdi de novo.

— O que você perdeu?

— Perdi outra pessoa, de novo e de novo.

— Que besteira, só isso?

— Só isso? Como você haje quando perde alguém, raposa?

— Só tento esquecer, porque não tem como trazer de volta pra mim.

— Não entendo.

— Quando você perde alguém, é como perder um pedaço de você.

— Ainda não entendi.

— Se você perde um braço, vai chorar pra vida toda?

— Não — fala o menino, tentando entender.

O raposa continua:

— Então não deve chorar pra sempre. Pode chorar, mas é melhor saber a hora de parar.

— É que às vezes parece que vou ficar sozinho pra sempre.

— Os raposa vivem sozinhos a vida toda.

— Nossa, deve ser tão triste.

— Não é, mas eu sou diferente. Eu tive amigos. Amigos que se foram, mas sei que não iriam gostar de me ver chorando.

O menino olha e fala:

— É, amigos… Me responde mais uma pergunta.

— Sim.

— Por que você fala?

— Essa é uma excelente pergunta.